"Olá minha querida!
Permite-me que te trate assim.
Já nos correspondemos ha um bom tempo. Inclusive já solicitei a permissão do teu pai para te poder escrever.
Nem sabes o quanto tempo para te dizer. Não imaginas o quanto penso em ti.
Quero poder chegar de mansinho e poder te amar. Ficar bem colado no teu leito e ver o mundo clarear. Quero que o mundo saiba o que és para mim. Quero poder sussurar-te bom dia com um sorriso a cada novo amanhecer. Quero criar rotinas contigo. Estou a despesperar de saudades tuas. Estou a milhares de horas de caminho de distância na direcção em que o sol nasce. Milhas e milhas longe de ti. Já nao funciono. Já nao raciocino direito. Já nao consigo deixar passar uma hora sequer em que eu não pense em ti. Estou longe. Sinto-me só.Só queria que soubesses... Esta não é como muitas outras cartas. Esta é sim um pedaço meu que desprendo para te entregar. Acredito, amor, que as cartas de amor são eternas. Mesmo aquelas que são rasgadas e atiradas em mil pedaços para o chão se eternizam. Cada palavra, cada rima, cada andamento por muito descabido que pareça vai ficar sempre la. Em espirito. Mas que tonteria... agora digo que as cartas tem espirito. Mas agora que reflicto mais profundamente penso que provavelmente, realmente terão. O espirito do amor. O toque de afrodite e o doce toque do cupido. Espero poder continuar-te a escrever. Se cada carta que eu te escrever leve um pedaço meu, em breve todo o meu eu estará ai.
Esta noite tive um sonho. Vi uma quinta num campo verdejante e tu estavas sentada numa cadeira de baloiço por debaixo de uma macieira. Devia ser altura de fruta porque a macieira estava carregadinha. Tinhas um belo vestido branco e uma flor no cabelo. É tudo o que consigo lembrar-me do sonho. Perdoa amor.
Não me estico mais nesta carta.
A esta hora a tua mãe já deve estar a requisitar a tua atenção.
Despeço-me como sempre, amor!
Teu com imortal amor..."
Sem comentários:
Enviar um comentário