sexta-feira, 14 de agosto de 2009
"...sempre no presente."
Uma vez mais uma sala poeirenta com um piano velho. Acredito que o piano consiga ser dos instrumentos mais romanticos que exista. Ainda mais que a guitarra que sendo móvel pode ser usada em serenatas ou canções ao luar. Toca para mim disse ele. Ela fica timida e alegremente sentida pelo pedido dele. Encaminha-se para o piano quando se senta olha em volta e demora-se no olhar dele respira fundo e antes que os seus delicados dedos se pousassem nas teclas do piano já ele se derretia pelo misto de emoções daquele momento. Nisto os dedos carregam suavemente as teclas e uma melodia que ele nunca ouvira solta-se pelo ar. Sentiu-se insignificantemente pequeno face a melodia que se soltava no ar. Emocionado soltou um lagrima que depressa tratou de disfarçar. Havia algo naquele conjunto de notas que ele não conseguia descobrir mas que o trespassava como uma espada. Queres que pare perguntou ela e semi-cerrando os olhos ele abanou negativamente com a cabeça. Ele conhecia inumeras sequencias como aquela que estava a viver.Tinha visto em filmes, tinha lido em livros e sempre se perguntava como reagiria a uma situação semelhante. Na verdade, não sabia o que sentir. Deixou-se ser guiado pela delicadeza do toque, pela pureza daquele som. Este é somente o ponto de vista dele. Ela debatia-se internamente com questões sobre onde toda aquela cena os iria levar. Nesta história completamente deslocada de tudo. Sem passado nem futuro. Apenas o presente interessa. Nesse momento houve sentimentos a falar por eles. Muito suavemente a melodia termina. O silêncio imperou. Não daqueles silencios incomodativos onde apenas desejamos fugir. Mas um silencio estranhamente confortavel. O que achaste interrogou ela. Ele arreguilando os olhos como se tivesse sido apanhado de surpresa por esta pergunta inevítavel, perguntou-se o que tinha achado. A pergunta dela, a simples pergunta dela ecoou dentro do seu corpo tendo ainda a boca caida de admiração. Sentia-se nervosa pela demora da resposta dele. Sentiria ela a necessidade da aceitação dele? Sentia. Sentia necessidade da sua aprovação. Varias vezes pensara em convida-lo para a ouvir tocar. Receando por varios e inumeros factores. Nunca o fez. Ainda espantado com a intensidade sentimental daquele momento ele afirmou ainda assaltado pela emoção...foi espectacular disse ele. Os seus olhos ainda demonstravam que tinha estado a chorar. Há algo de errado perguntou ela e ele fixou o seu olhar nas maos dela e caminhou na sua direcçao. Tomou-lhe as maos perto das suas e disse: tudo está errado. No fim de tocares tinha um problema achei que te abraçaria e te beijaria e nunca te deixaria ir embora. Neste cenário não há passado nem futuro, apenas o presente e no presente eu e tu não estamos aqui. Não nesta sala, não nesta situação. Tu não tocaste para mim. Tu falaste directamente ao meu coração. O meu peito abriu-se para ti. Rasgou-me a alma. Nunca pensei ficar tão marcado por alguem como fiquei por ti agora. A eternidade não me assusta. Assusta sim ficar sem ti. Mas no presente não nos podemos entregar um ao outro. Não podemos estar aqui. Não posso ouvir-te tocar assim. Neste presente... não há presente. Ela chorou. Ele abraçou-a. Tomou-a nos seus braços e quis ficar ali para sempre. Respeitando o seu pedido. Deixo-os ficar lá para sempre. De pé abraçados. Junto do piano que não existe e da sala inventada. Tudo o resto fica por contar. Sem passado e sem futuro. Mas sempre no presente.
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