domingo, 10 de maio de 2009

"o violinista desconhecido..."

É fim de dia em uma qualquer capital europeia... chove desalmadamente. Demoro-me numa qualquer praça. E vejo alguem correr com uma caixa de violino. As roupas são as da época. O ambiente é Romantico e convida ao amor. Neste caso vejo mais este anónimo apaixonado que se detem num ponto alto e abre a caixa onde trazia o violino. Procura a melhor posição para uma janela em questão. Coloca-se como num enorme palco estivesse e a sua pose é majestosa quando encosta o queixo no pequeno instrumento de quatro cordas. Não vejo de imediato porque se coloca ali. Sento-me em um vulgar banco de jardim por debaixo de uma roseira. Ele não se importa com a minha presença. Também não faço por ser notado. Respira fundo e de imediato o seu violino espalha pelo ar uma melodia em Sol maior. Todo o seu toque é amor. Toda a sua inspiração é pura. Entendo que a escolha do lugar nao foi aleatória. A Lua vem saudar este desconhecido músico. Toda aquela melodia vem do coração. Vejo a janela abrir de mansinho e vejo o seu rosto iluminar-se. A sua musa demorou-se mas apareceu. Ficaram parados e olharam-se sorrindo. Ficam parados ignorando sequer que o resto do mundo parava e olhava. Os olhares transbordavam amor e ternura. Ainda que o resto do dia girassem e circulassem por ruas, horarios e vidas diferentes, naquele momento eles eram unos. Eram um coração, uma mente, um olhar uma só vida!Em cada dia ele lhe transmitia mais ternura. Em cada pormenor do seu quotidiano ele a via. Fechando os olhos sentia-a chegar. Do alto da sua janela ela ardia de amor por ele. O mundo parecia conspirar contra eles mas nada os demovia. Alguem que passava disse-me que todas as noites ele rumava para aquele sitio especifico, como um palco e dedicava musicas à sua amada. E todas as noites ela permitia que ele subisse na sua janela e lhe roubasse mais um beijo e entregava-lhe mais uma flor com o seu perfume que a acalentava na noite mais fria. Como esta em que chove. Nem as carruagens que chegavam e paravam num vai e vem constante tipico de uma grande cidade. O piso era mau. Os cavalheiros comentavam a loucura quase doentia destes enamorados. As donzelas e damas suspiravam pelo dia em que os seus amores sofressem da mesma doença que controla por dentro e lhes dedicassem melodias do alto da rua ou do cimo da Lua. De momento escuto com atenção o que se desenrola. Durante horas ele toca. Durante horas ela escuta e sonha. Eu levanto-me e afasto-me com a duvida se os voltarei ou nao a ver. Também eu quero um amor assim. Também em mim bate um amor como este. Tenho em mim parte deste desconhecido violinista. E é a ti que te dedico musicas e textos. Sei que por noites infinitas ele foi lá tocar. E sei que por toda a vida eles se amarão. Foi numa qualquer capital europeia que isto poderá ter acontecido. São dois amantes. São enamorados... sou eu e tu.

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