sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Gelo..."

A Terra atravessa uma das piores fases de sempre. O gelo é imenso. Chamam-lhe época glaciar. Os gelo invadiu a terra e o Sol ficou tapado. Foi o fim de muitas espécies. Uma delas ousou ser diferente. Em pequenos grupos deslocava-se procurando alimento. É nesta altura dura mas relativamente menos desenvolvida que encontramos em uma dessas tribos os sentimentos primariamente desenvolvidos. Ainda que afectassem da mesma maneira eram mais naturais. Conseguiriam ser explicados? O melhor guerreiro da tribo ficaria com a mais bonita mulher da aldeia. Eu vou contar uma história tão antiga como o próprio tempo. Uma história que por certos muitos desconhecem. Uma história que no meio de tempos tão dificeis cresceu e tornou-se ela tambem um simbolo. Apenas posso presumir que na altura teriam nomes. Apenas posso presumir quais seriam. Isso uma vez mais não é importante. Uma história de amor em tempos dificeis. Primeiros gestos de romantismo. Primeiros instintos apaixonados. Ela tinha uns olhos entre o verde o castanho lindissimos e uma pele clara. Vestia peles para combater o frio. Tinha umas mãos lindas e um sorriso que faria derreter qualquer glaciar. Ele era alto, largo de ombros e de olhos escuros, dedos compridos e cabelo escuro. Movimentavam-se no mesmo meio. Na mesma tribo e para o mesmo sentido. Ele vivia apaixonado por ela e o seu amor era correspondido. Por certo iria ter que lutar pela mão dela mais cedo ou mais tarde. Ainda que os combates internos estivessem suspensos por ordem superior este combate iria ter que acontecer. A lei do mais forte prevalece. Por vezes ele vendava-lhe os olhos e guiava-a até a um dos seus sitios preferidos. Um ermo alto onde tudo era gelo. Onde a vista cortava a respiração. Ficavam ali por horas. Naquele canto só dele e agora também dela. Onde milhares de anos antes contam os ancestrais que teria havido mar. Agora tudo era gelo. Mas o calor do amor deles fervia à temperatura do centro da Terra. Voltavam sempre antes de anoitecer. Tudo é gelo. Não há a minima vegetação e o vento sopra forte. Ainda na noite mais escura. Nas noites sem nuvens as estrelas eram tantas. Suportavam o frio só para poderem estar juntos. Suportavam pelo máximo que lhes era permitido. Escassos minutos e depressa se retiravam para esperar um novo amanhecer. Os olhares cúmplices atravessavam toda a aldeia. O dia da luta chegou. Ele é forte. É decidido e está apaixonado. Tudo fara para não ver a sua amada nos braços de outro. O combate tem inicio... o seu adversário é mais forte e mais alto. Munidos de armas rudimentares vão-se movimentando em circulos. Observando-se e testando-se.É uma forma menos desenvolvida de luta mas mesmo assim letal. O seu adversário derruba-o por terra. Mas é até à morte.Depressa se levanta e trata de contra atacar. Envolvendo-se num fervoroso jogo de corpo. A lámina perfura e caem os dois no chão. Cansaço e ferida. Um deles se levanta tem menos altura que o outro mas a sua paixão e chama são enormes. Preparou-se então para desferir o golpe fatal no seu desafiador mas num gesto de clemencia poupa-lhe a vida. Era o sinal que no fim deste dia ele e a sua amada estariam juntos. Oficialmente juntos. Logo no fim do combate ele desaparece por umas horas. Tinha arriscado a sua vida pela sua amada. Andou sozinho. Percorreu caminhos antigos. Voltou exausto. Voltou cambaleando. Mas trazia consigo um presente. Uma coisa simples. Trazia consigo uma flor. A primeira flor visivel em milhares de anos. Abraçou a sua amada e entregou-lhe o presente mais valioso que podia. O principio do fim de uma época e o inicio de outra. O fim dos glaciares e o inicio da sua vida ao lado da sua amada.

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