sábado, 16 de maio de 2009
"Serenatas ao luar..."
É de madrugada e ouvem-se passos apressados na rua. Um andar nervoso e decidido. É madrugada e ouvem-se umas pancadas secas na janela. Alguém atira pedras de baixo. Ela levanta-se ensonada e curiosa. Com muito cuidado para não acordar a irmã que dorme pacificamente ao lado. Os primeiros raios da aurora começam a despontar. Não se vê o Sol. Apenas aquela mistura de tons alaranjados a querer sair no horizonte e aquecer o mundo. Ao abrir a janela bem devagar para mais ninguem ouvir, depara-se com um rapaz que fica com um sorriso enorme só por estar a vê-la. A estrela da manhã brilha resplandecesnte no céu. Ficam parados a olhar. Já se cruzaram anteriormente. Já haviam trocado olhares. Esta história é de outros tempos. Quem me contou não soube precisar quais. Esta história é de qualquer cidade, vila ou aldeia do mundo. Não se pode provar que não aconteceu. Ele não conseguia dormir. O seu corpo estava cansado mas o seu cérebro continuava activo a pensar nela. Tinha que a ver. A casa dela era numa rua adjacente à estrada principal. Uma rua que descia muito. Uma rua com pouca luz. Por inúmeras vezes ele desviou o seu percurso por lá ainda que isso o obrigasse a percorrer mais uns quantos quilómetros só com a esperança vã de a ver e de por momentos se sentir por perto dela. Atrever-se-ia a falar-lhe daquilo que sente? Trazia consigo uma guitarra e uma música preparada apenas para o efeito. Iria cantar-lhe uma serenata à luz da Lua. Andava há meses a preparar isto. Só pensava nela. Vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Olhou-a nos olhos a procurar coragem e decidido começa a cantar e a tocar. A voz dele ecoou por ruas e calçadas e no coração dela. Eu imagino que música terá sido mas cada um de nós conseguirá imaginar à sua maneira uma musica que gostava de dedicar ou lhe dedicassem. Ela suspirou, sorriu e muito delicadamente encostou a mão no queixo e ficou a ouvir. Os seus mundos estavam ligados. O destino de ambos tinha escrito que iriam encontrar-se naquele momento, neste sitio especifico, nesta hora ao amanhecer. Tudo tinha sido preparado até aquele momento. Desde a primeira vez que ele a viu no meio de uma multidão e a sua visão optou por seleccionar apenas a imagem dela e tudo o resto em redor turvar-se. Ou da vez que sentiu o cheiro dela e quis guarda-lo para sempre. Envergonhado tentou dizer-lhe algo de interessante mas ficou bloqueado e não conseguiu dizer rigorosamente nada. Ela apercebe-se e sorri. Tudo foi preparado, uma sucessão de eventos que os levaram aquela hora específica, aquele momento único. O brilho do amanhecer reflectia no olhar emocionado dela. Suspirava e sonhava. Ele fechava os olhos por momentos e imaginava-se bem mais perto que os vinte metros em questão que os separavam. Imaginava poder abraça-la, poder falar-lhe ao ouvido bem suave, imaginava senti o calor dela. Duas canções apaixonadas ele lhe dedicou. Foram minutos que podiam ter-se tornado horas. Cantaria para ela por toda a noite. Dedicar-lhe-ia frases de amor e suspiros de saudade. Quando ele já guardava a guitarra na respectiva caixa ela pergunta-lhe voltas?e ele responde... Nunca me irei embora. Estou sempre aqui.
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