sábado, 9 de maio de 2009

"contos de cavalaria..."

E o som da retirada ecoou no campo de batalha e tudo estava terminado. E ainda que eles não o soubessem em breve a guerra também estaria. No seus rostos via-se o cansaço, mas no fundo a esperança alimentava-os. Nutrindo-os para um novo amanhã. Acalentando a força que os levou a combater. Foram dias a fim de privações e de alerta constante. A aura do inimigo fazia-se sentir em cada anoitecer e em cada alvorada. O Sol do dia anterior ter-se-ia posto em tons vermelhos dando o prenuncio de combate sangrento. Bateram-se como guerreiros mas lutavam como irmãos. Aquele que derramou o seu sangue comigo hoje foi meu irmão. No seu corpo estavam fardas de oficiais mas dentro do seu peito batiam corações de cavalheiros. Para ver esta história começar teriamos que recuar dias, meses, anos e séculos. Num outro tempo de Damas e Cavalheiros. Ainda que fosse um periodo sangrento da humanidade as histórias de amor eternizavam-se e tornavam-se maiores que o mundo. As guerras separavam corações apaixonados mas nunca separava dois pensamentos. A Honra era mantida ao extremo. Num tempo em que as caravelas partiam rumo ao desconhecido um novo sentimento deu origem a uma nova palavra exclusivamente portuguesa. A palavra saudade. Que na distancia, na guerra, num barco do outro lado do mundo, numa cruzada pela paz apertava no peito e causava mais estragos que as guerras e a fome juntas. O amor esse sentimento incompletamente completo. Desatina sem doer. Consegue conferir uma força maior que dez homens. Consegue dar felicidade e entregar a tristeza. Consegue fazer-se sentir nas coisas simples e ser arrebatador nas coisas complexas. O amor transforma uma dia chuvoso num dia especial. Transforma uma simples melodia na musica de uma vida. E nao ha diferença entre um sábio e um louco quando estes estão apaixonados.

Sem comentários:

Enviar um comentário