terça-feira, 12 de maio de 2009
"da Índia com amor..."
Está calor nas margens do Ganges. Numa aldeia muito pobre vejo que também sentimentos nobres reinam. A atmosfera é quente e humida. O termometro sobe incessantemente. Tenho olhado desde ha uns dias o comportamento de dois jovens. Como é meu costume não lhes vou dar nomes. Como é meu costume não vou falar das suas vidas. Ainda que vivendo numa das zonas mais belas do mundo é proporcionalmente uma das mais pobres. A ocupação britanica tem e deixa as suas marcas. Falam a lingua dos estrangeiros. Tentam ensina-los a comportarem-se como subditos de sua majestade. No meio de um bilião de pessoas estas duas almas conseguem comunicar no silencio de um olhar. No meio de tanta gente ela consegue sorrir só para ele. No meio de muitos e coloridos saris ele reconhece-a até de olhos fechados. A agitação do primeiro carro tardou a chegar a esta parte do mundo. As locomotivas vão sempre cheias. Estes enamorados encontram-se à noite. Num sitio ermo e contemplam um dos maiores simbolos de amor do mundo. Consegui ver o olhar dele brilhar quando a vê passar. Vivem um amor secreto. Tão profundo como o firmamento que agora contemplam. Parece que cada estrela corresponde a uma dificuldade que passaram. Depois de superada ainda brilha com mais força. Deixei-me ficar uns dias por perto. Não que tenha nada a ver com as suas vidas ou com o decurso normal de vida nesta paradisiaca parte do mundo. Vejo que se enamoram. Vejo que se adoram. Esta é mais uma historia unica de amor. Nesta vivem um amor secreto. Não sei como me apercebi de tal subtileza. Não entendo nada daquilo que falam. Mas há linguagem que são universais. Vejo que lhe entrega cartas de amor muito discretamente quando se cruzam. Ele entrega-as. Eu apenas te escrevo desta parte do mundo.Sem saber bem se me vais responder ou como me vais responder. Digo-te que o tempo nada mudou em mim. Só a saudade aumentou. Ainda lembro a primeira vez que te vi. Ainda lembro aquele primeiro abraço. Ainda sonho contigo e acordo com um sorriso aqui nesta parte do mundo. Ainda lembro quando parti no barco. Deixei para tras o meu mundo. Mas nunca te deixei ficar. Aqui nesta parte do mundo. Aqui nas margens do Ganges.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário