domingo, 31 de maio de 2009

"Até sempre..."

É Agosto de um ano de descobrimentos. O Sol queima o rosto deste desconhecido. Tinha o mundo quando embarcou. Sentia-se capaz de grandes conqusitas e fazedor de grandes feitos. Ainda o sente mas não acredita nisso. Fica saudoso contemplando o horizonte. O seu capitão ja tentou de tudo para o fazer despertar. Chicotadas, trabalhos extra e até prisão. Mas nada o demoveu. Padece de um grande mal. Padece de saudade. Bem fundo do seu peito de marinheiro ela se apoderou. Poe em causa tal jornada e considera um erro. Tudo um erro. Deixou-se levar pela maré. Acreditou que voltaria para os braços da sua amada algures num futuro próximo. Acreditou que consegueriam manter tal amor vivo e forte. Acreditou... Escreveu cartas de amor dos portos por onde passou. Enviou encomendas que foram sendo entregues de mão em mão até ao seu porto de abrigo. Ela era o seu porto de abrigo numa tempestade. Para os seus braços ele desajava voar. Um oceano inteiro os separava. Alem do oceano fisico havia todo um outro oceano de complicações. Profundo e impossivel de navegar sem o vento de feição. O barco onde regressava a casa naufragou. Deste pobre marinheiro apenas sobrou uma carta que havia sido acordada com outro camarada que em caso de morte de um deles o outro se encarregaria de fazer chegar a bom porto a carta. Fazer chegar ao porto de abrigo.
Lá podia ler-se: " Meu amor, assim como a Lua e o Sol nós estamos separados. Assim como a Lua e o Sol circulamos por obritas diferentes. Assim como a Lua e o Sol também eu e tu somos movidos por forças. Fazemos opções e formulamos desejos. Escolhemos as opções e sonhamos com os desejos. Eu e tu, a Lua e o Sol. É extremamente raro e demora o seu tempo. Mas também eu e tu um dia quem sabe no futuro teremos o nosso eclipse. Esse eterno bailado celeste que proporciona um dos mais espectaculares eventos do universo. Mas, meu amor, se recebeste esta carta pelas mãos de outrem significa que a minha matéria deixou de existir. O meu Ser ter-se-á desintegrado. Todo eu sou alma agora. Circulo nos quatro ventos procurando noticias tuas. Sou vento que embala, sou chuva que lava. Não chores a minha morte. Não chores o meu partir. Voltarei em cada por-do-sol. Voltarei em cada botão de rosa. Voltarei na chuva e voltarei no vento. Voltarei em cada manha de Inverno. Voltarei para te ouvir tocar. Abdicaria de toda a eternidade só para te poder tocar. Porque sei que no fundo me sentirás de qualquer maneira. Ainda que de momento não sinta nada. Preparo com pesar esta carta. Onde tenho a noção da fragilidade da condição humana. Escrevi o meu nome da história. Fiz parte da tripulação do Santa Maria. Viajei e cruzei oceanos mas nunca mais regressarei. Apenas a minha alma voltará. Voltarei em cada noite estrelada. E voltarei na luz do amanhecer. Voltarei em cada vão momento. Voltarei só para te poder ver. Deixo-te todo o meu amor. Sou teu. De corpo e alma. Sempre serei. Adeus e até já.
Teu com muito amor....
Até sempre"

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