terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
"... brilham mais."
Noite, noite estrelada inundas de escuridão. Emerges as flores, as plantas, as casas os carros. Tudo fica tingido de negro durante as horas em que és rainha. O mundo fica soterrado na tua escuridão. As montanhas ficam invisiveis. É escuro como breu. Noite, noite estrelada. Longos campos de cereal desaparecem debaixo do teu delicado manto. Os olhos de nada me servem. Apuro os outros sentidos. Numa panóplia de sensações vou caminhando na escuridão. Sei que é Verão. Ouço a vegetação rasteira crepitar à minha passagem. O aroma forte dos pinheiros quando calco as agulhas logo se difunde pelo ar. Caminho calmamente. Ouço a brisa fazer-se notar nas arvores. E no meu rosto toca-me como um carinho. É algo suave. Noite, noite estrelada que me inundaste da tua escuridão. Ouço umas largas centenas de pequenos insectos que saudam a noite com os seus cantos repetitivos. Grilos, cigarras... estes consigo reconhecer. Mas ao longe na floresta ecoam os pios de outros seres nocturnos. É nervosamente envolvente. Hipnotizante até. Chego a um pequeno lago e vejo a noite reflectida. Noite, noite estrelada que me inundas de escuridão. Emerges-me com as flores, com as plantas, as já longinguas casas. Banhas-me no teu manto. Caminho por mais uns minutos. A vegetação atinge a altura da minha cintura. Estico as mãos e vou sentido o toque suave das plantas passar-me entre os dedos. Caminho descalço. Cada passo tem o seu quê de relaxante. Como uma massagem. Todo este ambiente é estranhamente familiar. Já percorri estes trilhos na noite. Quero voltar a percorrer. Caminhar na noite, noite estrelada, com a tão necessaria escuridão.É na escuridão mais densa que as estrelas brilham mais.
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