terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"...as vezes tambem..."

"Sentaram-se naquele banco de jardim. Vinham calados já há um bom bocado. Assim permanceram. O silencio assusta-me pensou ele. Pensou em quantas vezes tinha procurado um qualquer motivo para continuarem a falar. Não foi o caso de hoje. Ainda que se sentisse assustado deixou ficar o silencio. Não quis falar. Não quis procurar o corpo dela. Deixou-se ficar no seu espaço dentro do banco. Nunca aquele banco lhe pareceu tão grande. Nunca quis faze-la sentir distante mas a verdade é que hoje procurava isso inconscientemente. Deixou-se ficar calado. Deixou-se ficar. Sentiu-se assustado. Sentiu-se incomodado. Sentiu-se rebentar por dentro. Quis conter um ultimo suspiro. Fechou os olhos e deixou-se tombar no banco. As pessoas passavam e reparavam neles. Ela sentada no canto mais à direita do banco alheada dele, ele completamente tombado sobre o ombro e a cabeça pousada no banco. Sentiu-se infinitamente pequeno. A sua pequez fez-lo sentir-se... fez-lo sentir desvanecer. Deixou-se ir. Sentiu a respiração diminuir... os olhos focarem-se num clarao branco. Insipirou profundamente... o ultimo suspiro. E nesse suspiro morreu... O silêncio é de ouro e de mata... mas as vezes também mata..."

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