sábado, 26 de setembro de 2009
"...quis..."
Quis ser levantado do chão para poder contemplar a obra divina do Criador. Quis voar alto o suficiente para poder tocar as nuvens. Quis mergulhar bem fundo no mar e ver os seus mundos escondidos. Quis respirar o ar quente do deserto e sentir o frio gélido dos glaciares. Quis planar nas correntes de ar quente. Quis sentar-me debaixo de uma arvore ancestral e repousar na sua sombra. Quis sentir as primeiras chuvas de Inverno lavarem-me o rosto empoeirado. Quis que o Verão trouxesse a fruta fresca. Quis ser o solo de um violino ecoado entre paredes velhas. Quis ser respiração ofegante e quis ser vento. Quis sentir a fé. Quis sentir a dor e a amargura. Quis chorar de aflição e sorrir de satisfação. Quis guardar uma gota de água numa folha. Quis sentir medo e quis sentir coragem. Quis ser ave migratória. Quis ser pó, cinza ou brasas. Quis sentir o desespero. Quis sentir a tranquilidade. Quis ser piquenique ao domingo. Quis ser o acordar pesado de uma segunda feira. Quis ser transito. Quis ser multidão. Quis ser solidão. Quis ser o meu recanto. Quis ser noite de luar e estrela no céu. Quis ser eclipse. Quis ser uma estrela cadente. Quis ser um sem-abrigo e quis ser rico. Quis ser o bater de asas suave de uma borboleta, quis ser o vento que puxa as folhas já castanhas das arvores. Quis ser vento ciclónico. Quis a paz. Quis a guerra. Quis ter a mente vazia e quis usufruir ao maximo deste pensamento de querer ser levantado do chão para poder contemplar a obra divina do Criador.
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