Dou por mim a revisitar livros já lidos. Dou por mim a ouvir musicas já gastas. Dou por mim a escrever frases batidas. Mas faço-o com uma sensação de novidade. Perco-me por entre as paginas revisitadas e nas notas de musicas já gastas. Cada dia componho mentalmente novos textos. Cada dia revejo novas situações. A novidade parece eminente mas ainda assim não me esforço por criar novos textos a cada hora. Por esta hora ouço as mesmas musicas e leio os mesmo livros. Mas a mente voa mais longe, bem mais longe!Há dias vi o sol nascer. Senti o refrescar da chegada de um novo dia enquanto vi a noite passar. É algo que sinto como a chegada de um velho amigo. Como uma visita há muito esperada com quem ficamos em silêncio e o olhar transmite toda a informação. É alguem que mesmo sem estar presente sabemos que está por lá. A distância é existente. Fisica e sentimental. É algo que não consigo controlar. É algo que escapa a minha ilusão de controlo. É nas paginas de livros ja lidos que me encontro. É nos acordes de musicas já gastas que me detenho. Escrevo uma série de frases gastas. Frases sem nada de novo. Com as mesmas palavras e com a mesma forma de escrita. Nada de extraordinário. Mas é ai que me encontro. Naquelas pequenas coisas que me definem enquanto Ser. No reencontro com o Sol. Na visita à luz do luar. Qual é o proposito deste texto? Qual é o proposito de o escrever? Qual é o proposito até de o ler? Claramente deixou de ser um diário de bordo, ou o relatório do que os meus dias são onde quem souber ler para além das entrelinhas percebe o meu estado de espirito. Revisito livros. Livros gastos, livros com cheiro velho e com aspecto igual. Em tudo entendo o porque de me prender a um livro, canção ou frase gasta! Sou um mero espectador nesta triplice. Talvez procure as sensações sentidas aquando da primeira lida, audição ou escrita quando na verdade não é assim. Procuro o futuro nas paginas de um livro velho. Procuro inspiração nas musicas já a tocada, nos acordes ja tocados e nas frases já proferidas. Há um novo panorama actual em mim. Algo que mudou recentemente. Ainda não notei qual a total extensão ou duração da mudança. Há um novo desafio permanentemente lançado. Sempre em tom de desafio... sempre em forma de mudança e sempre nos livros, canções ou frases antigas.
Há dias vi o Sol nascer e fiquei deitado sob o ainda pensativo céu estrelado. Estava frio, estava fresco e eu estava sozinho. Iluminado pela luz do Sol reflectida em forma de luar. Escutava o som do mar e o vento vinha-se manifestar. Nada disto é novidade. É um texto velho e gasto.
Qual é o propósito deste texto? Qual é o propósito de o escrever? ou mesmo de o ler? Tentar dizer-te algo de novo. Algo que capto ao ouvir as musicas antigas, a ler os livros antigos e a escrever em frases já gastas...
" Naquelas pequenas coisas que me definem enquanto Ser. No reencontro com o Sol. Na visita à luz do luar."
ResponderEliminarTalvez por isto tenhas escrito... porque as coisas simples às vezes oferecem-nos a oportunidade de ver de outra forma... de sentir e de as voltar a escrever!
Lindo texto!