terça-feira, 23 de junho de 2009

"casa de pradaria..."

Vejo um alpendre de uma casa de pradaria. Vejo tudo em tons amarelos. Reparo que estou sentado numa cadeira de baloiço. Vejo as minhas mãos tocadas pelo tempo. Observo atentamente o fim de uma estação. Chega o Verão. O tempo quente vem para ficar. Ouço o crepitar da madeira do alpendre quando a cadeira balança. Estou tranquilo. Sinto o peso da ancestralidade. Cada ruga da minha cara é uma historia de vida. Cada historia é uma expressão de sentimentos. Estou em plena posse das minhas capacidades mentais. A idade manifesta-se nas capacidades fisicas. Andar compassado. Falta o vigor fisico de outrora.Fito demoradamente o céu azul. Viajo na memória. Não há nada no futuro que não tenha visto. Não há nada que necessite da minha aprovação. A casa parece-se comigo. Gasta pelo tempo. Toda em madeira.Com um pequeno alpendre tambem em madeira. É uma casa de pradaria e tudo à minha volta tem tons de amarelo. O cereal que cresce mesmo em frente tem essa cor. O Sol majestoso no céu. O azul do céu não destoa... complementa. A tranquilidade reina. É um retiro para o Inverno. A aceitação da chegada do fim. Pacifica e aceite como sempre deveria ser. Numa casa de pradaria. É assim que quero envelhecer. É com esta paz interior que quero aceitar os ultimos momentos de vida. Não é um desejo morbido. Mas uma esperança. A morte não me assusta. O que me assusta é a forma de morrer. Por isso vejo uma casa de pradaria. Vejo-me velho e tranquilo. Aqui onde tudo é amarelo.

1 comentário:

  1. Tambem eu, gostava de envelhecer assim...
    Uma velhice igual a esta aqui descrita, deve saber muito bem....

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